segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amor... Distante Amor...




Minha anjinha, a noite foi perfeita, todas as palavras ditas, sentimentos expressados, pena que quando acordei estava sozinho, sem você, abraçado em um travesseiro,tudo o que foi dito foi ao telefone, por simples mensagens, todas as caricias foram fruto da nossa imaginação.Estar longe de quem se gosta é assim, lembranças enchem a mente, a saudade aperta o peito e a felicidade do ter e do ser ás vezes transborda pelos olhos.

sábado, 14 de julho de 2012

Palavras ao vento....

Lembranças de um show que não vi...
Lembro do gosto daquela bebida que não bebi...
Horários marcados, pilulas engolidas...
Não sei se melhorei ou piorei,
apenas sigo o que dizem o que devo seguir...
Meu desejo é de melhoras...


Essa semana foi dura...
Nada no mundo é fácil,
mas porque acho tudo tão difícil?
Porquê tudo pesa tanto?
Porque os dias são todos iguais?
Pontos de apoio, é o que tenho.
Pessoas que me mostram o quão fácil é,
aqueles que me incentivam a não desistir
por eles que escrevi isto aqui...
A eles que só tenho a agradecer...
OBRIGADO

O que tenho? É aquela doença que não te mata, és aquela doença e espera ver você morrer aos poucos!
Se você sabe do que estou falando, sabe o que é depressão!





domingo, 1 de julho de 2012

Uma virgula em minha vida!


Existem virgulas capazes de mudar todo o rumo da história. Já pensou isso pro seu cotidiano?
Quantas vezes somos convidados pra sair, nos deparamos com oportunidades, e não vamos? Seja por preguiça ou por medo do desconhecido. Imagine se o mundo lhe desse uma segunda chance, uma chance de viver o dia de ontem daquela maneira que optou por dispensar!
Naqueles momentos em que está sem vontade de nada, e que acha que aquilo que é proposto é desinteressante, pense duas vezes, pois será a única vez que poderá fazer.
"Ah, amanhã eu faço...". Sim poderá fazer, mas todos os pequenos detalhes estarão mudados, o dia será outro, o clima será outro. E o dia de ontem talvez seja considerado por você um dia perdido em sua vida.
Quem nunca deixou de fazer algo que julgava importante, pra fazer algo que julgava de extrema importância,?Será que era tudo como julgamos? Estávamos certos sobre o que era e o que não era importante?
Eu já perdi muitas coisas em minha vida, muitas vezes por medo do desconhecido resolvi ficar no conforto do meu lar, nem colocar o pé pra fora da minha "humilde residencia"(uasuhsausahsuas), nem ao mesmo ver como estava o tempo lá fora.
Essa semana vi algo sobre, era uma daquelas postagens clássicas de Facebook, (site que ao meu ver se tornou pior que o velho Orkut,isso não vem ao caso). A  moral da postagem era a seguinte: "Pra que vou sair de casa, eu tenho que me produzir toda pra buscar o desconhecido, minha cama está quentinha, e a pipoca está crocante. O jeito é desculpa, e não sair..."
 Eu lembrei naquele momento de tantas vezes que já fiz isso, e lembrei de tantas vezes que me perguntei:
" E se eu tivesse ido? Como seria? Quem estará lá?"
Mas também lembro de tudo que já me falaram:
-Bah, vai! Vai ser legal!
Aqueles momentos que fui e conheci o desconhecido, algumas vezes foi ótimo, outras nem tanto. O importante é que eu estava lá. Se não provarmos não saberemos qual o sabor, mas não precisamos provar tudo que nos oferecem, temos que saber julgar o que é certo ou o errado, ter o bom senso.
Sentar e reclamar, julgar, falar, dizer que  a pessoa é "idiota", um "cagão", só porque não quer fazer aquilo que não ta afim. Só porque julga errado aquilo que outros fazem, mesmo eles sabendo que não é o certo.
Sempre fui aquele que teve medo do desconhecido, mas os tempos mudaram, hoje tenho medo daquilo que conheço, medo de tudo aquilo que foge do cotidiano. Resolvi admitir o que sinto, e admitir quem sou. Espero um dia ficar melhor, e poder saborear o desconhecido juntamente com os sabores do que já conheço. Só peço à aqueles que me conhecem, entendam:
" NÃO ESTOU ASSIM PORQUE QUERO, E ESTOU LUTANDO  DA MINHA MANEIRA PRA SER MELHOR DO QUE UM DIA  FUI... O DESCONHECIDO QUE ME AGUARDE, E GUARDEM PARTE DO QUE JÁ CONHEÇO PRA MIM" 
"O amanhã é o reflexo do hoje, e quem você é reflexo de suas atitudes!"

domingo, 20 de maio de 2012

Relacionamento


    Quando falamos em relacionamentos queremos sinceridade, fidelidade, simpatia, carinho... Então quando conhecemos alguem não podemos levar em conta itens como idade, aparência, ou conta bancaria! Talvez as pessoas não são todas iguais, mas é você que se atrai sempre pelas mesmas coisas!
 Palavras de um feio mal amado
" Pequeno texto escrito por mim, levando em conta o meu cotidiano!"

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Uma amostra de afeto

Dedicado a Liege Neuland, aquela que não tem medo.
O Pive do Orkut?  Foram as primeiras palavras que direcionou a mim, lembra?
Não é a melhor pessoa deste mundo, mas é alguém que me aconselha em momentos difíceis, mulher valente com rostinho de inocente.
Pessoa que me faz sentir o sexo frágil. Aquela que me chama de lage, quase todos os dias. Será que sou uma lage? (Risos)
Você está ai, me aturando há oito meses, nos vimos apenas três vezes? Os bolos foram quantos? Ah, deixa pra lá. Isso não importa.
Alguns momentos pensei, ”ela não está nem ai”, mas descobri que é seu jeito maluco de ser, eu curto você assim, eu curto sua companhia, na internet, e ainda mais em festas. Conselheira, amiga, simpática, faltam adjetivos.
A menina que me deixou sem imunidade de tanto me preocupar.
Foi um ano conturbado para nós dois, coisas boas coisas ruins, namoros e términos.  Mas de tudo que aconteceu, uma das melhores coisas foi te conhecer. Foi as viagens ao teu lado, e as que  eu fiz pois me incentivou.  Noites regadas a muito álcool,  com o tempo vemos quem vale a pena, aprendemos isso.
Orgulho em te ver bem, feliz ano novo. Que ano que vem tenha muitas outras noites alucinantes em sua companhia.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mulher

Mulheres, loiras, morenas, ruivas, sou rodeado por mulheres. Esbarrando com uma ou em outra posso observar um olhar meigo, um sorriso cativante.
Mas ainda não achei mulher que mexesse comigo como você.
Os dias passam e nem reparo mais na beleza de quem me rodeia, vendo os olhos da menina mais linda, lembro como é doce tua voz, vendo o sorriso da mais singelo. Sinto falta do teu abraço.
No meu mundo só existe você, és a razão do meu viver.

sábado, 22 de outubro de 2011

Alguém especial



Hoje entrei em um bate papo, não queria mais fazer isso, e acabei por  fazer.
Sempre me julguei anormal, uma pessoa diferente, um modo de pensar oposto ao da maioria das pessoas.
Então resolvi entrar com o nick, ESTRANHO. O que mais li foi pessoas querendo saber o porquê eu era estranho.
A primeira vista todos me achariam normal, mas o problema é psicológico algo na minha personalidade. Enfim.
Eu sou diferente das pessoas ditas normais, das pessoas que curtem a vida e tão nem ai pra nada. Por mais que eu tente, acabo por voltar ao meu estado de tristeza. Mas não é disso que quero falar.
Quero falar de uma pessoa que conheci. Uma pessoa que tem a personalidade parecida com a minha, uma pessoa que escreve de uma forma parecida.
Acredite quem quiser, não levei fé quando vi o nick daquela garota que já me atrevo a chamar de amiga.
O nick dela era LoiraInteressante, imaginei ser uma pessoa totalmente diferente da que conheci.
Ela é sentimental, inteligente e tem um papo maravilhoso. Me entende muito bem, e parece pensar da mesma forma que eu.
Se hoje, duas horas depois de conhecê-la estou escrevendo isso. É uma forma de expor tamanha felicidade que sinto por conhecê-la.
E descobri. Podemos ser ambos estranhos diante a sociedade, mas nos compreendemos muito bem.
Um beijo enorme pra essa menina que hoje me fez um cara feliz.
" A menina com o maior coração que já vi."
Abraço a você que leu.

domingo, 16 de outubro de 2011

Pois é

Eu te invejo, e te invejo por ter um sonho e lutar. Eu nada sou, sou apenas mais um que um dia teve um blog. Jamais serei escritor, e nem sei porque escrevo. Não luto pelos meus sonhos nem luto por nada.  Muitos me disseram que Deus me deu um dom, espero morrer com ele. Eu cansei de querer impressionar  as pessoas, não to mais afim de escrever. Quem me conhece sabe que eu transmito essa forma poetica de escrever no dia-dia.  Eu escrevo assim para quem gosto e até pra quem eu odeio. Esse é meu jeito.  Talvez por dom ou por incistencia eu sou assim. Neste mundo, desejo o melhor a todos, e a mim tenho um unico desejo.  Ser feliz. Hoje eu não sou, nem escritor, nem feliz. Obrigado por doar seu tempo e ler isto.
( Não corrigi, e sim, sou realmente péssimo em gramatica.)
Isso eu escrevi para uma amiga no MSN, resolvi postar aqui.
Obrigado a todos que dedicaram seu tempo, e leram meus textos.
Talvez um dia eu volte a escrever, eu volte a postar.
Mas hoje, penso apenas que tenho que tentar ser feliz.
Um abraço enorme.

sábado, 1 de outubro de 2011

Em busca de companhia


A pior coisa de ser casado com uma Bióloga são as viagens a trabalho.
Dirigia meu carro lentamente pelas ruas do centro daquela imensa cidade, acreditava que seria apenas mais uma noite solitária. Por muitas vezes me perguntei o que Barbara estaria fazendo enquanto eu me masturbava folhando aquela velha revista pornô dos anos 90. O corpo da Barbara(minha esposa) não se comparava ao daquela jovem modelo da revista. Mas para mim era o mais lindo do mundo.
Passando diante da prefeitura vi aquela linda morena, caminhava de um lado para o outro parecendo atordoada. No primeiro olhar já decidi o que deveria fazer, eu dormiria acompanhado. Mesmo que tivesse que pagar por isso.
Estacionando o carro ao lado da calçada, abri o vidro do carona dando uma leve buzinada. Quando vi que caminhava em minha direção já gritei:
- Vamos pra onde meu amor?- Sinceramente não sabia como contratar os serviços de uma prostituta. - Vamos dar uma voltinha?
Caminhando devagar no alto do seu salto, veio até mim. Escorada na janela, fitou meus olhos:
-Pra onde quiser meu bem. Dou preferência para um lugar bem longe daqui.
- Gostaria de dormir acompanhado hoje, custa caro? – Minha voz passava um ar de vergonha.
- Depende o que o senhor quer, o preço varia de 50 a 200 reais, tudo depende do que faremos, do tempo que ficaremos juntos. – Ela falava tranqüilo como quem me oferecia um produto qualquer em um balcão de loja.
- Não tenho planos e desejos. Apenas sexo, o que rolar rolou!- Tentei parecer indiferente quanto ao valor.
- Tudo bem amor, podemos ir então.
Sorrindo embarcou lentamente no carro sua pele bronzeada me levou ao delírio ali mesmo.
Dirigindo sem mesmo prestar real atenção na estrada, fui para um motel que conhecia à beira da rodovia que saia da cidade. Sentada no banco do carona a jovem apenas fitava o rádio com os olhos.
-Quer colocar uma música? Fique a vontade!- Meus olhos fitavam o decote da jovem, quando ela se esticou para ligar o radio. –Tem CDs no porta-luvas!
Minutos depois chegamos ao motel, na recepção pedi por um pernoite, a garota sorriu triunfante para a recepcionista. Como quem dissesse. “Eu amo esse homem”.
Peguei uma suíte, não era a mais luxuosa do motel, mas não era nada simples. Em meus pensamentos tentei lembrar a última vez que fui a um motel com a Barbara.
- Qual o seu nome amor? – Seus lábios se esticavam em um sorriso triunfante. – Você tem cara de Mauricio!
Subimos as escadas abraçados como um casal apaixonado.
- Marcelo!- Respondi sorrindo.
- Ahh, que burra eu sou, vi teu nome nos documentos do carro quando peguei um Cd no porta-luvas, mas jurei ter lido Mauricio.
Aquela garota não parecia uma prostituta igual as que eu vi, e ouvi falar. Ela parecia inteligente e simpática demais.
Quando entrei, vi que tinha preservativos sobre a cama. Fiquei feliz ao ver, pois eu não tinha comigo.
Sentei na cama, ela foi chegando sobre mim, quando seus lábios tocaram os meus, veio a mim uma repulsa como que por espontânea. Eu a empurrei.
- Não quer beijo. – Ela sorriu torto. – Eu entendo.
-Desculpe, eu não consigo. – Muito nervoso eu tremia. – Sou casado, nunca trai. Amo minha esposa. Isso foi um erro!
- Calma amor, eu posso ir com calma. – Sussurrando em meu ouvido ela foi subindo as mãos em minhas costas em busca de tirar minha camiseta.
- Pare, por favor, isso é errado! – Sua pele quente sobre meu peito já nu me causava arrepios.
- Ok, me desculpe. – Sacudindo a cabeça já não parecia a mesma. – Quer me levar embora então? Te cobro o preço mínimo! Eu te entendo. Já me afastei de pessoas que amo, por erros menores que esse.
- Qual foi teu erro? – Uma curiosidade enorme caiu sobre mim.
- Abandonei minha família no interior para tentar a vida na capital, por ser inteligente achei que entraria logo em uma boa universidade pública. Enganei-me. Arrumei emprego aqui na cidade, fui morar com uma garota que nem conhecia. – O olhar da jovem era triste, mostrava um arrependimento enorme. – A Garota com quem morava é uma striper, demorei dias para descobrir. Literalmente ela leva o trabalho pra casa. Com ela conheci a cocaína.
- Desculpe, noto que se sente mal. Se quiser pode deixar, eu perguntei por impulso. – Eu a interrompi, pois notei ser nada bonita a história de vida que tinha pra me contar.
- É bom desabafar. – Secando as primeiras lagrimas que corria pelo seu rosto ela continuou. – Comecei a cheirar por carência, a droga me transportava para outra realidade. Por passar boa parte do tempo chapada, fui demitida do meu emprego por ter muitas faltas. Resolvi seguir minha vida, tentar viver sem drogas. Me afastei daquela amiga, aluguei um apartamento e fui morar sozinha. Uma semana sem emprego e já tinha cheirado meu fundo de garantia todo.
Notei que já estava inteiramente jogada nas drogas. Em dias eu estava nas ruas vendendo meu corpo. E aqui estou. Acredito que nunca farei faculdade, nunca serei realmente feliz. Serei apenas uma mancha nas ruas desta cidade.
Eu não sabia o que fazer, resolvi fazer o que era certo para mim.
- Fico triste pela sua história. – Respirei fundo e completei – Pagarei o taxi para você ir embora, eu tenho que chegar logo em casa. Quanto eu te devo?
- Deixa só os 50 reais, eu pago o taxi. - Sacando o telefone da sua bolsa, ela ligou para alguém que acredito que seja o taxista. Tapando microfone do telefone falou. – Se não se importa vou tomar um banho! Eu preciso continuar o trabalho, a noite está só no inicio.
- Vou deixar pago o motel, vou pagar a noite toda, se quiser pode ficar aqui. Aviso na recepção.
- Tá bom. Vou tomar um banho e já vou. – Virando as costas foi falando no telefone – Oi, sou eu mesma, me busca aqui no motel da rodovia? Sim sim, eu espero.
- Tchau. -Foi só o que eu falei.
Deixei cem reais sobre o frigobar, desci as escadas devagar. Peguei meu carro e dirigi para casa ouvindo o Cd que estava dentro do radio. Segundos depois notei que era o cd que havia ganhado de aniversario da minha esposa.
Cheguei em casa atordoado, uma luz verde da secretaria eletrônica piscava sobre a escrivaninha do canto da sala. Apertei o botão e ouvi uma mensagem que apenas dizia. ’’ Te amo meu bem, retorne’’.
Ligando para a Barbara descobri que ela estará de volta para o almoço. Mania dela de não ligar para o meu celular.
Relatei estes fatos em um texto, pois estou sem sono. Arrependo-me do que fiz. Mas o que mais me intriga são as perguntas que não querem calar. Onde estará a jovem prostituta? Será que retornarei a ver? O que já não deve ter suportado aquela jovem?

domingo, 4 de setembro de 2011

Amando em silêncio


Estranho como admirava a beleza daquela garota, nos corredores da escola ela se tornava totalmente visível, não usava roupas extravagantes, era apenas um borrão em meio ao pessoal. Mas para mim, ela era a mais perfeita dentre tantas. Éramos ambos do 2º ano, mas de classes diferentes, eu apenas a via durante o recreio e algumas vezes antes de começar a aula. Jamais há encontrei fora da escola.
 Sentada no chão do corredor com o ipod em punhos se desligava do mundo ao seu redor. Na manhã em que conversamos pela primeira vez, ela estava usando coturno, calça jeans, além de uma camiseta dos RAMONES.
 Por tantas vezes cruzei por ela no corredor, e em tantas outras ficava imaginando a música que estava escutando.
 Parece idiota, mas sonhava ser como ela, ter coragem de gritar ao mundo foda-se. Nosso      primeiro contato foi dentro da biblioteca. Eu estava sentado lendo e ela simplesmente ao passar virou o livro de modo que pudesse ver a capa.
 -Menina que roubava livros, é uma boa história. - comentou ao me fitar com o olhar.
 -Sim, retrata bem a Alemanha nazista. – Não sabia como me portar diante do seu rosto maquiado.
 - Hitler foi um grande líder, mas infelizmente suas idéias eram tolas. Formar um mundo de arianos não adiantaria, o problema desse mundo são os alienados.
 Sua voz era doce, seus coturnos estalavam no piso a caminho das estantes.
 Por muito tempo não saiu da minha cabeça aquele final de frase, “o problema do mundo são os alienados.”.  Vindo dela foi como um ateu pedindo para eu ir à igreja, na minha percepção ela era a pessoa mais alienada que eu já vira, perdendo apenas para mim próprio. Ela ficava sempre ali com seu fone, ou lendo. Era um ser completamente anti-social, como podia chamar alguém de alienado. Resolvi que deveria achar maneiras de me aproximar.
 Depois de dias cheguei à conclusão que ela tinha segredos, que não era apenas aquele ser melancólico jogado no corredor, eu queria descobrir mais sobre ela.
 O ano já estava no fim, e todas as informações que eu tinha eram que curtia Ramones, Pitty, Evanescence, e mais algumas bandas. As férias chegariam e eu não a veria mais. E assim foi.
 Nas férias cada dia era uma eternidade. A maior parte do tempo fiquei em casa escutando as músicas que imaginava que ela gostava e pensando como faria para desvendar seus mistérios. Não tinha o que eu fazer, apenas sentar e esperar os dias passar.
 Em um dia nublado próximo ao fim das férias, sentado na sacada da minha casa, lendo o livro que havia ganhado de natal, podia ver o mundo que todos julgavam ser um mundo perfeito. Aquela velha senhora passeado com seu cachorro.
 - Ah se ela soubesse o que o marido faz enquanto diz que está no trabalho.– Sussurrei baixinho.
 E aqueles garotos aos berros enquanto jogam videogame na casa da frente.
 -Um dia saberão que jogar videogame não é a melhor coisa deste mundo.– Me vi aos risos ali sentado.
 Perdi-me em devaneios olhando a movimentação da rua e adormeci. Quando acordei já estava escuro, o sereno já havia molhado minha pele e minha mãe esmurrava a porta do meu quarto.
 - Carlos, ta ai?- pude notar a seriedade em sua voz- Desce agora pra jantar.
 - Já vou mãe!- gritei ainda acordando.
 Quando levantei me deparei com um pequeno avião de papel jogado em meus pés. Era um avião perfeitamente dobrado, tinha algo escrito.
Desdobrando rapidamente li as palavras que estavam escritas em uma caligrafia quase perfeita.
“Oi garoto leitor, livro novo? Espero que tenha acabado o último.”
 Logo pensei na misteriosa, só poderia ter sido ela que havia me enviado tal recado. Desci as escadas correndo, sentei-me à mesa e fui logo devorando o que via em minha frente.
 - Vai se engasgar- Pude ouvir meu pai.
 Não dei atenção, terminei de comer e subi as escadas correndo. Cheguei ao quarto e novamente peguei pra ler o bilhete que em um momento foi um avião.
 Em minha cabeça projetava o rosto da garota que por dias não havia visto.
 -Ela passou aqui, me viu dormindo com o livro em mãos. Será que ela notou que estava dormindo. Com certeza sim. Burro burro burro- Sussurei ao acariciar aquele papel que acreditava ser da minha amada misteriosa.
 Nos dias seguintes fiquei observando da sacada do meu quarto. E não vi  nada além do pacato cotidiano, vizinhos que cumprimentavam, crianças que corriam pelos jardins.  Os dias passaram e as férias foram acabando.
 No último dia das férias minha mãe subiu as escadas enquanto estava deitado em minha cama ouvindo música.
 - Carlos, abre a porta. Chegou uma carta para você. – Levantei calmamente, pois imaginava ser apenas propaganda ou algo assim. – O mais estranho é que não tem remetente e nem selo. Tá apenas escrito em caneta – minha mãe fez um silêncio- para Carlos, vírgula, o leitor da rua.
 Abri a porta rapidamente, peguei a carta e fui logo rasgando para abrir.
 “Sei que deve estar curioso, eu também estaria. Amanhã na escola talvez eu me revele para você. Talvez não. Sou tímida. Queria ser um livro para sempre estar entre seus dedos.”
 Tremia ao ler tal carta. Não consegui dormir naquela noite. Estava ansioso demais para descansar. Reorganizei meus materiais muitas vezes. Já se passava das duas da madrugada quando deitei. Não preguei o olho um segundo.
 Eu odiava o primeiro dia de aula, aqueles jogos de integração e as fofocas sobre as viagens e festas... A escola quer formar adultos e acaba por fazer um regresso ao jardim de infância no primeiro dia letivo. Uma tremenda tolice em minha opinião.
 Aquele dia não foi diferente, mas algo novo despertou a minha atenção.
 Sentada em um canto da sala estava a tal garota. Com uma camiseta desbotada do Nirvana, uma calça Jens, e um All star preto. Permaneceu calada todo o 1º período.
 Eu do outro lado da sala tentava me manter calado, observei que ela me olhou algumas vezes. Mas eu não conseguia parar de olhar.
 No inicio do segundo período o velho professor de História fazia a chamada quando ouvi a única palavra que ela pronunciou até aquele momento. O professor ergueu os olhos sobre a turma quando disse em um ar desanimado:
- Franciele?
 Erguendo a cabeça ela apenas disse:
 -Aqui! -Continuou a fazer o que estava fazendo, vendo de longe eu acreditava ser um desenho.
 Os períodos passaram um após o outro. E não ouvi mais nenhuma palavra de seus belos lábios.
Durante o recreio a sala permaneceu aberta. A Franciele continuou ali sentada rabiscando algo em seu caderno.
 Resolvi tomar uma atitude, vou caminhar até lá e vou ver a letra dela. Levantei e fui a passos tétricos até a mesa dela. Parei diante de sua classe fitando o caderno com os olhos.
 - E ai?- Pude ouvir. Ela não ergueu os olhos para me perguntar.
 Pensei: é a timidez.
 - Me chamo Carlos. -falei entre os dentes.
 - Eu Franciele, gostou do desenho?
 -Sim gostei- respondi- Você costuma passar na minha casa?
 -Nem sei onde você mora!- falou rindo- Acho que está se confundindo.
 - Não foi você que me mandou a carta? O aviãozinho?
 - Desculpe rapaz, não sei nem seu nome.
 Neste momento o barulho de uma classe sendo arrastada calou ambos.                                                   Pude ver Juliana, levantando rapidamente e correndo porta afora aos prantos.
- Ou caiu um cisco no olho daquela menina, ou você descobriu quem é que te mandou os bilhetes. - Franciele respirou fundo – Nem te conheço, você para mim é apenas mais um nessa sociedade medíocre. Notei que passou a manhã me olhando, me desculpe, você não faz meu tipo. Cresça e apareça. Agora saia daqui, você me causa náuseas. Garoto idiota!
 - Desculpe- foi só o que falei. Suas palavras ecoavam em minha cabeça.
Depois daquele dia mudei meus conceitos sobre a menina rebelde que descobri se chamar Franciele.
Juliana não voltou para sala de aula naquela manhã, naquela tarde recebi uma nova carta.
 “Fui tola em não me identificar, não falar o que sinto, mas o que sinto não é de hoje. Muitas vezes te vi lendo na biblioteca, e passei reto sem nem ao menos dizer uma palavra. Foram muitas as vezes que você estava na sacada e eu apenas olhei, sem nem ao menos dizer uma palavra.
Espero que seja feliz com a Franciele.
Abro mão da minha felicidade pela sua.”
 Na manhã seguinte descobri através de colegas que Juliana tinha mudado de escola. Estaria estudando em outro bairro só para não ver mais meu rosto.
 Nunca mais senti nada pela Franciele, o único sentimento que habitava meu coração era o de pena. Pena da Juliana, que abriu mão de seus amigos, deixou sua escola por causa de um amor não correspondido.  E hoje acabo por sentir pena da Franciele, que com toda sua inteligência, e essência de superioridade fica isolada do resto da turma.